Desde que o presidente Donald Trump proibiu a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países majoritariamente muçulmanos que uma onda de protestos diversos se instaurou pelo mundo, expondo as mil camadas e sentidos em que tal decisão afeta a vida de pessoas diversas e inocentes.

A medida de Trump já foi revogada por um juiz, mas enquanto a decisão final não é tomada, seguem as vozes que expõem o absurdo de tal posição – e uma foto que recentemente viralizou ilustra em que nível e de que forma tal proibição pode arrasar com a vida de alguém.

A imagem mostra um médico de origem sudanesa com um cartaz que diz “Eu estou cuidando de sua mãe, mas não posso visitar a minha”. Na legenda se lê: “Vinte e cinco por cento dos médicos são nascidos em países estrangeiros. Muitos em países de maioria muçulmana, incluindo os sete países proibidos no banimento muçulmano. Como esse homem”. A foto, no entanto, ainda que plena de discurso e contundência, não revela totalmente a história que carrega.

Dr. Kamal Fadlalla

O personagem principal dessa história não aparece na imagem – que já foi compartilhada centenas de milhares de vezes. A história começa com o Dr. Kamal Fadlalla, um médico de Nova Iorque que possui um visto de trabalho americano, e que foi ao seu país, o Sudão, visitar a família uma semana antes da posse de Trump. Diante da notícia da medida proibitiva do novo presidente, Fadlalla decidiu antecipar sua volta aos EUA.

Quando já estava no aeroporto, após passar pela imigração, seu nome foi chamado pelos falantes e ele foi informado de que não poderia embarcar. Após quatro horas de espera, o médico teve de voltar para casa de sua família, no Sudão, sem saber o que será de seu futuro. Seus colegas de trabalho no hospital nos EUA, ao saberem da notícia, resolveram postar imagens segurando cartazes com mensagens de apoio e repudio à medida de Trump.

O médico que aparece na foto que viralizou resumiu o absurdo dos dias que estão vivendo: “Nós aqui seguimos trabalhando entre muçulmanos, cristãos, judeus, hindus, ateus, amigos que são minha família aqui, e que estão preocupados com nosso colega banido e estão orado por ele dia e noite. Continuamos a tratar, sabendo que essa decisão é unilateral e que não ilumina os ideais americanos de forma alguma”.

Nos cartazes, frases como “Kamal pertence ao Brooklyn”, “Imigrantes fazem os hospitais funcionarem”, “Nós apoiamos Kamal”, e “Tragam Dr. Kamal de volta. Seus pacientes o estão esperando“. Enquanto isso, o futuro de Kamal segue incerto, e ele se mantém no limbo que injustamente foi colocado, exilado em seu próprio país.